Automóvel
A Hyundai Prepara o Adeus: Câmbio Manual, Freio de Mão e Painel Analógico em Extinção
2025-07-09

A indústria automotiva global está em um ponto de inflexão, marcada por profundas transformações tecnológicas e mudanças nas preferências dos consumidores. Nesse cenário dinâmico, a Hyundai, uma das gigantes do setor, prevê o desaparecimento iminente de elementos que, por décadas, foram sinônimos da experiência de dirigir: o câmbio manual, o freio de mão convencional e os painéis de instrumentos analógicos. Essa transição reflete não apenas a evolução tecnológica, mas também uma adaptação estratégica às demandas contemporâneas do mercado e às rigorosas normas ambientais. Em meio a essa revolução, a montadora sul-coreana aposta firmemente em inovações que prometem remodelar o futuro da mobilidade, priorizando a eficiência, a digitalização e a eletrificação, elementos que já são percebidos como indispensáveis para o futuro.

Em uma entrevista recente à revista Car, um diretor do Centro Técnico da Hyundai na Europa abordou a complexidade de conciliar os custos de produção dos modernos sistemas de assistência ao motorista com a existência de dois tipos distintos de transmissão. As crescentes exigências regulatórias sobre emissões também contribuem para o declínio do câmbio manual. Contudo, o fator mais determinante para essa mudança é a diminuição da procura por esses itens clássicos. As empresas automobilísticas estariam mais inclinadas a superar esses desafios se houvesse uma demanda substancial por veículos equipados com três pedais, o que, infelizmente, não é o caso. A tendência de eliminação se acentua com o número cada vez menor de modelos de alto desempenho que ainda oferecem câmbios manuais e a ascensão dos carros elétricos.

Apesar de alguns entusiastas ainda valorizarem a experiência de dirigir um carro com transmissão manual, a realidade do mercado aponta para a extinção dessa opção. Nos Estados Unidos, por exemplo, a adesão ao sedã Elantra N com câmbio manual foi de apenas 30% no último ano, com a maioria dos compradores optando pela transmissão automatizada de oito velocidades e dupla embreagem. Além do câmbio, o executivo da Hyundai também enfatizou que os consumidores modernos não demonstram mais interesse em freios de mão mecânicos ou mostradores analógicos. Essa visão faz sentido para a maior parte dos motoristas mais jovens, enquanto os mais experientes ainda sentem falta da alavanca e dos ponteiros tradicionais. As exceções são cada vez mais raras, e a indústria se move em direção à padronização com freios de estacionamento eletrônicos, painéis de instrumentos digitais e transmissões automáticas, visando a redução de custos de desenvolvimento e produção.

Adicionalmente, o executivo expressou sua convicção de que não há motivos para lamentar o fim dos esportivos a combustão. Ele argumenta que muitos modelos antigos estavam "quilômetros de distância - uma decepção" em comparação com o desempenho atual de veículos como o Ioniq 5 N. Na sua perspectiva, os carros elétricos alcançaram em uma década o que os veículos a gasolina levaram um século para desenvolver. Ele também defende que os sons sintéticos de motor, gerados pelos alto-falantes, oferecem uma substituição satisfatória para o ronco dos motores a combustão.

As montadoras não veem mais justificativa financeira para investir no desenvolvimento de tecnologias que atendem a um nicho tão restrito de consumidores. Em uma era de digitalização e otimização de custos na indústria, o câmbio manual tornou-se uma relíquia, apreciada por poucos, mas sem a demanda necessária para assegurar sua permanência. Assim como a Ferrari sugeriu, para quem deseja um carro com câmbio manual, a solução é procurar um modelo usado. Essa nova realidade reflete a crescente prioridade pela automação, conveniência e inovação tecnológica, elementos que definem a direção futura do setor automotivo.

Produção Automotiva Brasileira Impulsionada por Exportações, Mas Importações Preocupam
2025-07-09
O setor automotivo brasileiro apresenta um panorama de crescimento na produção impulsionado, em grande parte, pelo desempenho das exportações no primeiro semestre de 2025. Contudo, a entrada massiva de veículos importados, sobretudo os oriundos da China, gera alertas e discussões sobre o equilíbrio do mercado nacional, conforme dados recentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O Caminho do Crescimento: Exportações Sustentam a Indústria Nacional

Aumento na Fabricação e o Papel Fundamental do Comércio Exterior

No primeiro semestre de 2025, o Brasil alcançou a marca de aproximadamente 1.144.550 unidades de automóveis e veículos comerciais leves produzidos. Este volume representa um acréscimo de 8,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora o registro de novos veículos no mercado interno tenha demonstrado um avanço modesto de 5%, o expressivo crescimento de 58,5% nas exportações foi o principal motor desse desempenho positivo. A recuperação econômica da Argentina é apontada como fator-chave para o dinamismo das vendas externas, apesar de gerar preocupações sobre a excessiva dependência desse mercado vizinho, especialmente diante da queda nas importações de veículos brasileiros por outros países como o México.

O Desafio dos Veículos Estrangeiros e a Ascensão dos Modelos Asiáticos

O fluxo de veículos importados no mercado brasileiro continua sendo um ponto de atenção para a Anfavea, notadamente com a chegada em larga escala de modelos chineses. No período analisado, o emplacamento de carros importados aumentou 15,8%, enquanto os veículos produzidos nacionalmente tiveram um crescimento mais tímido de 2,7%. Os carros eletrificados da China, em particular, contribuíram significativamente para essa dinâmica, com um estoque de 111 mil unidades em junho, resultado de um movimento estratégico das montadoras chinesas antes do iminente aumento dos impostos de importação. Atualmente, a maior parcela dos veículos importados registrados no país provém da China.

Vendas Diretas, Varejo e o Impacto da Economia

A análise das modalidades de venda revela que as taxas de juros elevadas e o aumento da inadimplência impactaram negativamente as vendas no varejo, que recuaram 10% para os veículos nacionais. Em contraste, os importados registraram um aumento de 15% nesse mesmo segmento. Por outro lado, as vendas diretas apresentaram crescimento tanto para os modelos nacionais (16%) quanto para os importados (17%). As locadoras desempenharam um papel crucial nesse cenário, sendo responsáveis por 28% de todos os emplacamentos no Brasil, evidenciando a importância do segmento para a absorção da produção e importação de veículos.

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Volkswagen Lidera Vendas de Veículos Elétricos na Europa com Crescimento Excepcional
2025-07-09

A Volkswagen tem colhido os frutos de sua estratégia de eletrificação na Europa, registrando um crescimento impressionante nas vendas de veículos elétricos a bateria (BEVs) no primeiro semestre. A marca Volkswagen especificamente viu suas vendas de BEVs aumentarem 70% na Europa Ocidental, enquanto o grupo como um todo, que abrange Audi, Porsche, Skoda e Cupra, observou um incremento de aproximadamente 90% nas entregas de modelos totalmente elétricos na região. Esse desempenho notável reflete o foco da empresa em expandir sua presença no mercado de eletrificados, com um em cada cinco carros entregues pelo grupo na Europa Ocidental sendo agora um BEV, conforme informações do Handelsblatt.

Apesar do sucesso na Europa, a Volkswagen enfrenta desafios em outros mercados, como o chinês, onde as vendas de elétricos da marca sofreram uma queda de mais de 30%. O cenário europeu também apresenta uma concorrência acirrada, com a Tesla registrando uma redução de um terço em suas entregas no primeiro semestre, e a ascensão de montadoras chinesas como BYD, Polestar e MG. Para manter o ímpeto e a lucratividade, a Volkswagen tem adotado uma política de preços competitiva e planeja diversos lançamentos elétricos até 2027, incluindo os aguardados ID.2 e ID.3 GTI, além de atualizações para os modelos ID.4 e ID.5. A rentabilidade dos veículos elétricos, mesmo com margens menores, é garantida pela empresa, que busca não apenas conquistar clientes, mas também cumprir as rigorosas metas de emissão de CO₂ da União Europeia.

A jornada da Volkswagen no segmento de elétricos não tem sido sem percalços. O lançamento do ID.3 em 2019, inicialmente visto como um divisor de águas, enfrentou atrasos na produção e desafios com software, além da infraestrutura de recarga ainda em desenvolvimento. Esses obstáculos resultaram em vendas iniciais abaixo do esperado. No entanto, a montadora reagiu com investimentos em aprimoramento da qualidade, atualizações de software e parcerias para expandir a rede de recarga. A diversificação da linha ID, com a introdução de modelos como ID.4, ID.5 e ID.Buzz, tem sido fundamental para o recente sucesso, indicando que a resiliência e a adaptação são chaves para a liderança no dinâmico mercado de veículos elétricos.

A evolução da Volkswagen no mercado de veículos elétricos é um testemunho da importância da inovação e da adaptação contínua. Em um mundo que busca cada vez mais soluções sustentáveis, o investimento em tecnologia limpa e a capacidade de superar desafios iniciais não apenas impulsionam o sucesso comercial, mas também contribuem significativamente para um futuro mais verde e próspero. A trajetória da Volkswagen serve de inspiração, mostrando que a perseverança e a visão estratégica podem transformar obstáculos em oportunidades de crescimento e liderança em um setor tão vital para o planeta.

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